terça-feira, 30 de outubro de 2018

Entrevista ao p. Jaquité (1a parte)

Padre Jaquité: de muçulmano a sacerdote católico

Após uma passagem de 2 anos de estudo e trabalho pastoral em Portugal, o guineense padre Jaquité apresenta o seu testemunho de vida.
 
Rui Saraiva – Porto 

Keylândio Abdulai Jaquité nasceu muçulmano mas é sacerdote católico desde 12 de outubro de 2002, na Guiné-Bissau, um país onde os cristãos são apenas cerca de 20% da população.
O padre Jaquité esteve 2 anos em Portugal para concluir um mestrado em psicologia na Universidade Católica e, ao mesmo tempo, foi vigário paroquial na Paróquia do Santíssimo Sacramento na diocese do Porto. Está agora de partida para a Guiné-Bissau e em entrevista aborda esta experiência portuguesa e apresenta o seu testemunho de vida.

P: Esteve agora nesta experiência de estudos e também na Paróquia do Santíssimo Sacramento no Porto, de cerca de 2 anos, já tinha estado na diocese do Porto numa outra experiência de 6 anos, que balanço pode fazer nesta altura em que está quase de partida para a Guiné-Bissau?

R: Tive uma experiência positiva. Da outra vez tive uma experiência de 6 anos a viver na comunidade paroquial de São Martinho de Lordelo do Ouro e naquela altura não tinha nenhumas responsabilidades pastorais. Agora estou aqui na Paróquia do Santíssimo Sacramento numa experiência mais prática, como vigário paroquial, neste momento de partida o balanço é positivo. Aprendi muita coisa com gente boa que conheci nesta paróquia. Gente que vive a sua fé de um modo muito prático, gente disposta a dar tudo para o bem da Igreja e isto enriqueceu-me bastante. E penso que tenho também ajudado na experiência de tantas pessoas que conheci ao longo destes 2 anos.
Fiz o mestrado em psicologia, educação e recursos humanos e também ao nível da universidade tive uma experiência riquíssima porque para quem vem de um outro continente, de outra mentalidade, outra forma de viver, estar num ambiente como este aqui ajudou-me bastante e penso que também deixei alguma marca na universidade onde estudei.

P: Este mestrado e estes estudos vão agora ajudar no trabalho que vai desenvolver na Guiné-Bissau?

R: Com certeza. Eu desde que me ordenei trabalhei com jovens, estive no seminário menor e depois no seminário maior como formador e agora vou voltar. Não sei o que o senhor bispo me vai pedir, mas estou disposto, como sempre, para dar o meu contributo para o bem da Igreja na Guiné.

P: A sua história de vocação sacerdotal e de vocação cristã tem um percurso que creio irá interessar a quem nos está a ouvir porque nasce numa outra religião…

R: Eu costumo dizer às pessoas quando falo de mim: nós não nascemos cristãos, somos batizados para podermos ser cristãos, mas já para os muçulmanos o filho de um muçulmano é muçulmano. Eu nasci na religião islâmica e vivi até à idade da juventude e depois passei a ser cristão e hoje sou sacerdote. E esta experiência é enriquecedora de ter uma outra visão deste Deus que sou hoje chamado a servir nos altares.

P: Como foi essa mudança e esse conhecer Jesus Cristo?

R: É uma história muito longa e não poderia contar tudo aos ouvintes, mas poderei dizer que tive o primeiro contacto quando era adolescente. Na escola na Guiné existe a figura do professor catequista e foi ali que comecei a catequese. Depois deixei a catequese, por uma questão de conversa de adolescentes, mas mais tarde voltei a receber um convite para voltar a ir a uma missa numa Igreja dedicada a São José e foi lá que senti esta chamada para entrar e conhecer Jesus. Entrei na catequese, fui batizado, fiz o crisma e senti o chamamento para ir para o seminário e lá me formei e hoje estou a trabalhar para o bem da Igreja

P: Há quantos anos é que foi a sua ordenação?

R: Por acaso celebrei o aniversário da minha ordenação há dias. Ordenei-me no dia 12 de outubro de 2002 e foi exatamente na data que corresponde à data em que eu nasci. Tenho 16 anos de sacerdócio e vivo humildemente sempre procurando compreender melhor esse Jesus que me chamou a servi-lo.

P: E na Guiné o que é ser cristão católico?

R: Ser cristão católico na Guiné é uma experiência muito boa e muito edificante. Se olharmos para o mosaico em termos religiosos na Guiné podemos notar que temos cerca de 36% da nossa população que é muçulmana e temos os católicos e evangélicos que são cerca de 17% a 20%. E temos todo o resto que é a grande maioria que ainda está na religião tradicional africana. Portanto, ser cristão na Guiné é não só uma graça e uma alegria, mas é uma responsabilidade de dar um testemunho de fé nas ações, nas práticas diárias.

O padre Keylândio Jaquité voltará a estar na nossa companhia na rubrica da próxima semana de “Sal da Terra, Luz do Mundo”, na 2ª parte desta entrevista que nos concedeu no culminar da sua experiência de estudo e de trabalho pastoral na diocese do Porto. Regressa em breve à Guiné-Bissau e aproveitamos esta oportunidade para enviar a todos os guineenses e a todos aqueles que nos ouvem no continente africano uma saudação muito amiga.


Publicado em "Vatican News", a 25 de outubro de 2018.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Abertura do ano académico no Seminário Maior


O Seminário Maior interdiocesano deu hoje oficialmente início ao ano académico com a celebração da s. missa de abertura. Estiveram presentes quase todos os professores e alunos, e alguns formadores.  
O presidente da celebração foi o D. Pedro Zilli, bispo de Bafatá, o qual aproveitou a ocasião para encorajar os estudantes e os professores a viverem juntos como uma família, tendo uma abertura missionária sobre a Igreja universal. Ele mesmo informou que a sua diocese está numa nova etapa, tendo como programa para os próximos três anos: A Igreja anuncia o Evangelho com alegria”.
Na conclusão da s. Missa, o p. Marcos Baliu, secretário, tomou a palavra para apresentar os novos estudantes. Explicou que o número total dos alunos aumentou sensivelmente este ano, passando de 37 para 56! E' a primeira vez que o seminário maior tem tantos alunos. Eles são assim distribuídos: 18 no ano propedêutico, 14 no ciclo de filosofia e 24 no ciclo de teologia. Porque este aumento? Há fundamentalmente duas razões: o aumento de candidatos para o seminário (o grupo dos seminaristas "maiores" passou de 22 para 31), e o aumento dos estudantes "externos", que este ano é de 25, dos quais 14 franciscanos, 4 do PIME, 3 do Preciosíssimo Sangue,  2 irmãs franciscanas, uma irmã marianita e uma leiga consagrada.
 
Entre os novos professores vale a pena mencionar os recém-chegados dos estudos: p. Avito José Fernandes Araújo (que irá lecionar Sagrada Escritura) e o p. Florentino Encanha (que no próximo ano irá lecionar Teologia Espiritual).

Concluída a celebração eucarística, houve uma palestra cujo tema era: “A nova evangelização ao serviço da fé e do discernimento vocacional”.  O orador foi o fr. Renato Chiumento, professor de missiologia, o qual explicou que com este tema a Diocese de Bissau pretende continuar a sua caminhada, iniciada com o Sínodo diocesano de 2015-18 (sobre a Nova evangelização), mas também estar em comunhão com a Igreja universal, reunida neste momento em Roma para o "Sínodo dos jovens". Um sínodo que, na verdade, suscita muitas esperanças, quer no seio da Cúria Romana quer nas Igrejas particulares.




sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Começou em Roma o Sínodo dos jovens

O Sínodo dedicado aos jovens, cujo tema é: “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional” jà arrancou. Foi no dia 3 de outubro, em Roma, com a participaçao de 267 bispos vindos de todo o mundo. E pela primeira vez, depois da assinatura do acordo provisório entre a Santa Sé e a República Popular da China, estarão presentes dois bispos da China continental.

A XV Assembleia geral ordinária terá sua conclusão em 28 de outubro, e contará com a participação de 34 jovens auditores, entre 18 e 29 anos. Trata-se do terceiro Sínodo convocado pelo Papa Francisco, e como explicou o cardeal Lorenzo Baldisseri, secretário-geral do Sínodo, “segue a linha das Assembleias anteriores, percorrendo sempre o caminho para a renovação da Igreja e da sociedade a partir das próprias bases: a família e os jovens que garantem as futuras gerações”. A Igreja está pronta para se por “à escuta da voz, da sensibilidade e da fé dos jovens, mas também quer ouvir suas críticas e dúvidas”, disse Baldisseri. “O tema dos jovens é um desafio e a Igreja não tem medo de enfrentá-lo, mesmo que seja difícil e insidioso”.