quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Fundador da "Casa do menor" visita a Guiné

Renato Chiera é um camponês, filho de camponeses. Nasceu há 77 anos em uma família pobre, mas unida, com 8 filhos, em uma pequena cidadezinha da região do Piemonte, Roracco, no norte da Itália. “Aos 8 anos – conta – que queria ser como João Bosco”. Aos 12 entrou no seminário para ser padre.

Queria viver pelos outros. Logo que foi ordenado, sentiu que o seu coração estava “inquieto”, e quis “sair pelo mundo afora”. “Tive o privilégio de viver o pré-Concílio, o Concílio e o pós-Concílio. Sentia-me muito ‘apertado’ na minha diocese. Sonhava com horizontes maiores”. Um dia o bispo de Mondovì lhe propôs a possibilidade de ser missionário no Brasil, na diocese de Nova Iguaçu, a grande e violenta periferia do Rio, como sacerdote Fidei Donum. Era o ano de 1978. Desde então o coração do padre Renato bate pelo mundo dos descartados e pelo Brasil.
Deixou a cátedra de filosofia para entrar nas periferias geográficas e existenciais da Baixada Fluminense, “atraído -  revela – por Jesus que sofre e grita o seu abandono em um povo desenraizado, sem esperança e não amado”. Logo sente que encontrou o seu lugar e a sua Igreja.

O p. Renato está nestes dias aqui na Guiné-Bissau, visitando as duas dioceses à procura de meninos de rua pelos quais quer abrir uma outra "casa do menor", como no Brasil. A realidade africana é diferente da do Brasil, mas os pobres e os marginalizados vivem os mesmos sofrimentos a todas as latitudes. O p. Renato estará na Guiné até ao dia 31 de dezembro de 2019. 

Contato no facebook: https://pt-br.facebook.com/PadreRenatoChiera.


quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

O P. Domingos da Fonseca regressa à casa do Pai

Luto na Igreja Católica da Guiné-Bissau pelo falecimento inesperado do P. Domingos da Fonseca, que foi vigário geral da diocese de Bafatá e pároco da paróquia de Bambadinca. Ele faleceu na quinta-feira à noite, em Ziguinchor, por causa de problemas ligados à insuficiência renal.

O p. Domingos nasceu em Bolama a 27 de novembro de 1955, foi ordenado diácono a 18 de setembro de 1983 e sacerdote a 30 de dezembro de 1984.Ele foi um dos primeiros padres ordenados da diocese de Bissau.

Tinha uma licenciatura em Teologia Dogmática e uma outra em Sociologia. Deixa-nos um interessante estudo sobre Os Mancanhas. Nestes últimos anos lecionava Teologia Dogmática no seminário maior inter-diocesano. A nível do Estado da Guiné, foi nomeado presidente da Comissão organizadora da Conferencia Nacional para a Reconciliação e a Paz. Na altura da tomada de posse, em maio de 2015, o malogrado apontou a promoção da paz como o seu principal objetivo. Paz que se constrói através do diálogo. O padre Domingos da Fonseca pediu sempre aos guineenses para "adotarem o diálogo como ferramenta para a solução de problemas" para chegarem a consensos.
"Não há dificuldade que não possa ser superada quando existe uma boa vontade política e um amor e paixão pelo diálogo", afirmou numa das suas declarações à imprensa.

O p. Domingos deixa-nos um vazio enorme, pelas muitas qualidades que tinha: humildade, coragem, paixão pela missão. Era verdadeiramente um sábio e um mestre de vida.




sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Peregrinação mariana reúne muitos peregrinos em Cacheu


A peregrinação mariana a Cacheu está a tornar-se um momento importante da vida da nossa Igreja, juntando as duas dioceses numa manifestação de fé e devoção popular à Virgem Maria muito bonita. Este ano o evento foi marcado pela grande participação de jovens (na sexta-feira) e pela ótima organização. O lema (“Batizadu i inviadu! Suma Maria no ianda djuntu tras di Jesus”) evocava – como de costume – os grandes temas do ano pastoral: o batismo, que nos envia em missão, e a imitação de Maria como nossa Mãe e modelo de vida cristã.

Na sexta-feira, os jovens animaram a marcha-peregrinação de Capó a Cacheu (7 km) e a adoração eucarística. Depois foi a vez do Movimento Carismático que se encarregou de animar a vigília noturna (até às 6h00). No dia sábado chegaram os restantes peregrinos e a celebração eucarística teve inicio às 10h00. Presidiu D. José Lampra Cá, ladeado pelos outros dois bispos (D. José Camnate e D. Pedro Zilli). D. Lampra, com a sua habitual eloquência explicou o sentido do lema da peregrinação e as suas implicações para a vida do cristão. O coro de Bafatá animou magnificamente a celebração. O local mesmo da celebração estava muito bem organizado com cadeiras (alugadas) e os diferentes espaços bem delimitados. Além disso, o grupo Jeune esperance da comunidade de Cacheu ofereceu 10.000 hóstias e decorou o local. 

No fim da celebração, foi rezada a “Oração para as eleições presidenciais”, onde os peregrinos pediram a Deus a força para serem artífices de paz cada dia e para que tenham a sabedoria de escolher a pessoa certa como guia do país.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Profissão perpétua do primeiro oblato guineense

O primeiro oblato guineense fez a sua profissão perpetua no sábado passado (16 de novembro) na missão de Farim, onde os oblatos deram início à sua presença missionária na Guiné. A cerimónia contou com a presença do Superior regional e de muitos oblatos vindos do Senegal e da Guiné. Foi um momento de grande alegria pelo acontecimento - que alguns definiram "histórico" -, que confirma que a semente lançada está a dar os seus frutos.

O jovem chama-se Aful Sanhá, é guineense, mas fez toda a sua formação no estrangeiro. Atualmente ele está a viver como estagiário na missão de Cacine. A celebração eucarística, que teve lugar na igreja paroquial de Farim, foi presidida pelo p. António Imbombo, vigário diocesano para a pastoral, estando os nossos bispos empenhados num encontro da Conferência Episcopal sub-regional.

O p. Giancarlo Todesco deixa a diocese para uma nova missão

O p. Giancarlo Todesco, oblato de Maria Imaculada, depois de doze anos de serviço missionário na nossa diocese, vai deixar-nos na próxima 6a-feira (22 de novembro) para regressar ao Senegal.
A sua passagem aqui na Guiné, embora curta, foi notável. O seu nome fica ligado sobretudo à construção da igreja de Antula, que foi realizada em um tempo recorde graças à generosidade de muitos benfeitores. Mas ele foi também ecónomo diocesano durante nove anos, contribuindo a reorganizar as finanças e reequilibrar as contas da diocese.


Obrigado, p. Giancarlo, pelo valioso serviço e parabéns para a tua nova missão.






sábado, 2 de novembro de 2019

Apelo dos Líderes religiosos da Guiné-Bissau por ocasião das eleições presidenciais

Os líderes religiosos da Guiné-Bissau pedem os guineenses para demonstrarem o espirito patriótico e elevado grau de civismo e a participação ativa e democrática durante todo o processo para às presidenciais de 24 de Novembro

O apelo dos lideres religiosos foi tornado público hoje (31 de outubro de 2019), durante uma conferencia de imprensa, dos Líderes Religiosos das Comunidades Católica, Evangélica e Muçulmana da Guiné-Bissau, por ocasião das eleições presidenciais de 24 de novembro de 2019, que tem como lema “fidju di si n’sibiba ka ta padidu.”

Na ocasião o Bispo da diocese de Bissau, Dom Camnaté na Bissign, disse que o apelo é estendido aos candidatos para que saibam encarnar os nobres ideais da política e traduzi-los em projetos concretos de sociedade e de desenvolvimento sustentável.
“Que durante a campanha eleitoral saibam propor mensagens de reconciliação, de unidade, de solidariedade e demais valores que enaltecem a dignidade humana e satisfazem as exigências da democracia representativa. Que os candidatos, diante dos resultados eleitorais, saibam aceitá-los com um espírito de far play democrático; e em caso de contestação recorram unicamente às vias legais”, apelam os líderes religiosos.
 

Os líderes religiosos pedem ainda aos Órgãos de Soberania para que, durante todo o processo eleitoral, pautem pelo estrito cumprimento das leis da República, para que o povo acredite mais na democracia e possa exprimir as suas opções de maneira responsável.

O apelo também é estendido à Comunicação Social no sentido de respeitarem a sua deontologia profissional, através de uma informação que promova a verdade, estimule a disciplina, a ordem, o respeito do outro, favorecendo um clima de justiça e paz social.
Os lideres religiosos exortam a Comunidade Internacional a continuar a manifestar a sua multiforme solidariedade para com o povo da Guiné-Bissau, de modo que num futuro próximo esta Nação esteja em condições de assumir seu lugar nesta rede de cooperação internacional.

Na sua mensagem os líderes das confissões religiosas lembram que o resultado das Eleições Legislativas de 2014 e as ações de governação subsequentes tinham suscitado um grande entusiasmo e alimentado a esperança do povo durante algum tempo.
“Infelizmente, constatamos com tristeza, tal esperança transformou-se em incertezas e desilusão, devido à instabilidade instalada no país até a data presente. Este facto tem constituído um bloqueio à evolução política, económica e social, rumo a um real crescimento”.
Na mensagem, os lideres religiosos alertam que a um dia do início da campanha eleitoral, notam-se alguns sinais e fatos preocupantes, nomeadamente, as tendências vincadas de instrumentalização religiosa e étnica, uso frequente de linguagem violenta.
O desrespeito dos princípios democráticos, recurso à difamação e desinformação, vontade deliberada de dividir para reinar, enfim, seguir a lógica segundo a qual, “os fins justificam os meios”, preocupam os lideres religiosos.
Embora as eleições não sejam a única solução de todos os problemas do país, isso é o momento em que o povo manifesta o seu desejo de colocar na direção do país líderes carismáticos, coerentes e prudentes que fundamentam as suas ações nos princípios morais e aplicam-nos, tendo em conta as consequências que daí derivam.

Fonte: Radio Sol Mansi (radiosolmansi.net