terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Fr. Ernesto Bicego, uma coluna das missões franciscanas, regressa à casa do Pai

 Era o nosso missionário mais antigo, tendo vivido 55 anos na Guiné-Bissau. Natural de Valdagno, perto de Vicenza, onde nasceu em 5 de agosto de 1941, ele sentiu muito cedo o apelo a partir missionário e respondeu com entusiasmo. Era o ano de 1967. Chegou à Guiné juntamente com dois confrades: fr. Silvano de Cao e fr. Jorge Dalla Barba: todos três estão agora no céu, saboreando os frutos do seu trabalho. 

Em Itália, antes de partir, tinha feito um curso de enfermagem, mais depois de algum tempo teve de regressar à Italia para fazer um curso de mecânica (1971-1973) em vista de assumir a oficina-mecânica de Cumura. Mais as surpresas não acabaram, porque teve também de estudar para ser ordenado padre. Ele de facto será ordenado sacerdote pelo bispo D. Settimio A. Ferrazzetta em 26 de junho de 1982: o primeiro padre da nova diocese que acabava de ser erigida. 

O fr. Ernesto trabalhou sobretudo nas missões de Cumura e Quinhamel, lançando vários projetos de ajuda às povoações locais: cooperativas de pesca, escolas, conserto de bolanhas (arrozais) e muito mais. A sua mente era um vulcano em erupção, que mandava continuamente lava. Era foi o fundador da escola de Cumura, que conta hoje 1.500 alunos e foi diretor da escola de Blom (2012-2020). 

Nos últimos tempos a sua saúde não era boa, por isso foi-lhe aconselhado de voltar à Itàlia para tratamento (maio de 2022). Mas o seu desejo era de morrer aqui, na sua amada Guiné. Não foi facil para ele deixar tudo e partir sem saber se ia voltar. Infelizmente, morreu de repente no dia 2 de dezembro de 2022. 

Obrigado, fr. Ernesto, e que o Pai do céu seja misericordioso contigo, como tu o foste com a nosso povo.

 

domingo, 4 de dezembro de 2022

Guiné-Bissau. Milhares de fiéis acorrem ao Santuário de Cacheu em peregrinação

 

Milhares de fiéis encheram este fim de semana, 02 e 03 de dezembro, o Santuário de Nossa senhora da Natividade em Cacheu, norte da Guiné-Bissau, em “peregrinação Mariana” que teve como lema “Com Maria, caminhemos juntos para uma Igreja de Comunhão, Participação e Missão”.

As celebrações começaram às 14:30 do dia 02 com marcha de oração jovem de cerca de 7 km, coordenada pela Comissão da juventude, seguindo-se depois a adoração do Santíssimo às 20:00, tendo terminado com a vigília de oração que decorreu das 00:00h às 5:00 da manhã do dia 03, animada pelo grupo carismático.

A Santa Missa do enceramento e do envio dos peregrinos foi presidida pelo Administrador diocesano de Bafatá, Padre Lucio Brentegani, que convida os cristãos guineenses a serem verdadeiros missionários para o anúncio do Evangelho na Guiné-Bissau.

Segundo o Padre Lucio a Guiné-Bissau precisa do “fermento do Evangelho” para que a massa da vida social e familiar das pessoas possa se tornar evangélica, de amor, da fraternidade e da solidariedade.

“Esta peregrinação Mariana é sinodal e o lema está ligado com o do sínodo; comunhão participação e missão. Depois desta experiência de participação em comunhão, pedimos a estes peregrinos que se tornem missionários na Guiné-Bissau”.

A peregrinação Mariana contou com a presença dos representantes da Comunidade Islâmica e da Igreja Evangélica da Guiné-Bissau, fato elogiado pelo Administrador diocesano de Bafatá que enalteceu a boa convivência reinante entre as diferentes confissões religiosas presentes no País.

“Temos caminhos diferentes, mas somos todos filhos da mesma terra e do mesmo Deus, e é isso que nos junta e é a esta fraternidade universal que o Papa Francisco nos convida sempre, então estamos de alguma maneira a tentar vivê-la aqui na Guiné-Bissau”.

Segundo dados da Comissão organizadora participaram da peregrinação mais de 7 mil peregrinos vindos das duas dioceses do País (Bissau e Bafatá).

Estava presente, também, uma delegação da Comissão organizadora das Jornadas Mundiais da Juventude – Lisboa 2023, que se encontra de visita ao País.

O Padre Nuno Coelho que chefiava a delegação falou da experiência vivida durante a peregrinação.

“Foi muito bonito ver a Guiné-Bissau em várias paróquias e vários movimentos todos juntos de uma forma bastante comunitária e o testemunho da fé, toda a gente a cantar e a dançar”.

Registamos, também, o depoimento de uma peregrina que não duvida que com Maria e Jesus nada é perdido.

“Continuemos a ser perseverantes na fé, porque com Maria e Jesus nada perdemos”, concluiu.

A peregrinação Mariana 2022 – que decorreu de 02 a 03 de dezembro - foi realizada depois de ter sido suspenso nos últimos dois anos devido às interdições impostas para conter a propagação da pandemia de Covid-19.

Casimiro Jorge Cajucam – Rádio Sol Mansi, Guiné-Bissau